domingo, 12 de dezembro de 2010

Os escudeiros de Dilma.


 
Brasil
|  N° Edição:  2144 |  10.Dez.10 - 21:00 |  Atualizado em 11.Dez.10 - 16:45
 
 

Os escudeiros de Dilma

Assessores da ex-ministra há mais de uma década, Anderson Dorneles e Giles Azevedo serão os responsáveis por gerir a vida pessoal da presidente eleita

Hugo Marques

img.jpg
FILHO
Anderson começou a trabalhar
como office boy de Dilma, quando tinha apenas 14 anos

Ninguém desfruta mais da intimidade da presidente eleita, Dilma Rousseff, do que dois fiéis escudeiros que a acompanham para onde quer que ela vá desde meados da década de 90. Leais, da mais extrema confiança da presidente e sempre disponíveis a qualquer hora do dia ou da noite, o geólogo Giles Carriconde Azevedo e o estudante de direito Anderson Braga Dorneles são quase apêndices indissociáveis de Dilma. Cabe a esses dois gaúchos a responsabilidade de resolver desde questões estritamente pessoais, como checar o saldo bancário da ex-ministra, até despachar importantes personalidades do mundo do poder que não possam ser atendidas por Dilma em algum momento pouco oportuno. Os dois chegam a palpitar em discussões políticas de cunho mais restrito – Dilma conta que gosta de ouvi-los. A partir de 1º de janeiro, caberá a eles o papel de cuidar – e também blindar – da vida de Dilma Rousseff enquanto presidente. Giles será o chefe do Gabinete Pessoal da presidente e Anderson continuará a ser o que vem sendo desde que era adolescente: um faz tudo de luxo de Dilma.

Anderson, o mais novo dos dois – ele tem 31 anos e Giles 49 – iniciou sua carreira exatamente como office boy oficial da presidente eleita, aos 14 anos. Já Giles assessora Dilma politicamente desde a época em que ambos eram filiados ao PDT de Leonel Brizola, partido em que a presidente eleita iniciou sua carreira pública, em Porto Alegre, em 1985, como secretária municipal de Fazenda. Quando Dilma migrou para o PT de Lula, Giles foi junto. Há quem diga até que foi ele quem ajudou a convencê-la a mudar de partido. "O Anderson e o Giles são pessoas de extrema confiança da presidente", diz um ministro de Dilma. "Eles representam a lealdade e a confiança e estão sempre prontos a ajudá-la."

"Ele é tão ligado a Dilma que, quando vai jogar futebol, fica com
o celular na mão, para o caso de a presidente precisar dele"
Depoimento de um amigo de Anderson



Quando o assunto é saldo bancário, alimentação de dados no notebook e problemas familiares, Dilma confia todas as tarefas a Anderson. Confirmado na assessoria pessoal dela no novo governo, ele foi praticamente adotado como filho pela presidente eleita. Começou a trabalhar com Dilma em 1993, quando ela presidia a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul. Depois, passou de office boy a assessor pessoal, prestando serviços inclusive para o ex-marido de Dilma Carlos Franklin Araújo, então deputado estadual pelo PDT. Anderson acompanhou Dilma em todos os cargos que ela ocupou no Rio Grande do Sul e em Brasília. Não foram poucas as vezes que as autoridades que tinham agenda com Dilma ouviam o grito da então ministra: "Anderssonnnn....". Quase sempre, Dilma estava atrás da atualização dos seus dados no computador ou de alguma tarefa interna no Palácio.

img1.jpg
ARQUIVO
Nos últimos dez anos, todos os compromissos
políticos de Dilma foram agendados por Giles


A intimidade entre a presidente eleita e Anderson é tão grande que ele tem carta branca para servir o café da manhã de Dilma em seu quarto, onde quer que ela esteja, participar de reuniões confidenciais e ainda atender telefonemas de autoridades, a quem muitas vezes dispensa educadamente. Com tanta aproximação, Anderson é quem acaba recebendo a primeira carga de reações sentimentais de Dilma diante de temas delicados do cotidiano do poder, muitas vezes cercados de tensão. Dilma é perfeccionista, nem sempre disposta a conviver com falhas, principalmente as que revelam pouca aplicação. Não por acaso, portanto, Anderson, apesar da pouca idade, teve duas crises de estresse, uma no governo e outra durante a campanha. Da última vez, precisou sair de férias por uma semana para se recuperar. Tamanha intimidade e tantos anos de convivência já foram combustível para discussões acaloradas, que chegaram ao ponto de agressivos bate-bocas entre comandado e comandante. "O Anderson é tão ligado a Dilma que ele vai jogar futebol e fica com o celular na mão, para o caso de a presidente precisar dele", diz um amigo.

Enquanto Anderson cuida estritamente da vida pessoal da presidente eleita, cabe a Giles ser o guardião do dia a dia da persona política e profissional da ex-ministra. Nos últimos dez anos, não há uma reunião, um encontro político ou mesmo uma conversa ao pé do ouvido que não tenha passado por Giles. Entre os amigos, ele é chamado de arquivo vivo da vida pública da presidente. Na Casa Civil, ele ajudava na intermediação com os parlamentares, anotando e discutindo as reivindicações, arrumando desculpas para adiar encontros ou mesmo mudando a lista de compromissos de Dilma para encaixar algum interlocutor importante. Na campanha eleitoral, seu cargo foi oficialmente batizado de chefe da coordenação de agenda. Ele já exercia essa tarefa no Ministério de Minas e Energia, comandado por Dilma. Agora, está confirmado como chefe do Gabinete Pessoal da presidente.

"Giles é um operador silencioso e eficiente. Ele recuperou
a Gás Sul, que havia sido dilapidada para ser vendida"
Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul



Em 2000, durante o governo de Olívio Dutra, Giles assumiu, por indicação de Dilma, a presidência da Sul Gás, a estatal gaúcha responsável pela distribuição do gás natural vindo da Bolívia no Rio Grande do Sul. "O governo anterior tinha colocado a empresa em um cantinho para privatizá-la, mas o Giles, um operador silencioso e eficiente, recuperou a Sul Gás", diz o ex-governador gaúcho Olívio Dutra, afagando o ego do agora importante ex-subordinado. Faz bem. De uma forma ou de outra, quem quiser se aproximar da presidente eleita a partir de janeiro terá que, antes, passar por Giles e Anderson.

 

Nenhum comentário: